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domingo, 9 de julho de 2023

Quais são os pensamentos inúteis e como se livrar deles?

Este é um artigo diferente, em que o colunista dialoga e se manifesta sobre outro artigo, já escrito e divulgado na rede. Meu parceiro neste texto é James Altucher, investidor, programador, empreendedor e autor de seis livros. O texto original foi publicado no site TechCrunch.com no dia 3 de dezembro e, como é praxe na rede, lá ficou por algumas horas e foi-se, no caminho inevitável dos textos perdidos.

O título da matéria de Altucher era exatamente o título acima, e seu objetivo era listar o que ele chama de “pensamentos inúteis”, que devem ser sempre evitados por quem quer dedicar a vida ao sucesso. Aí vão, portanto, comentados e ampliados, Dez Caminhos (ou Não Caminhos) para o Sucesso. Altucher começa falando de sua vida:

Quando me separei de minha ex-mulher, em novembro de 2008, minha vida foi ao chão. Eram os tempos da crise financeira (como se os de hoje não fossem!), eu estava sozinho e passava as noites em hotéis baratos, enquanto o mundo caía à minha volta. Fechei uma startup que acabara de começar. Por quê ? Não sei, a ideia daquele site ainda é uma boa ideia, mas eu estava focado apenas na minha negatividade.

Nos anos anteriores, havia perdido a chance de investir no Google e no Foursquare. Eu perdi, eu me equivoquei, eu sofri, eu chorei. Todos nós temos sempre muito a lamentar. Que desperdício! Sei que é muito difícil passar a maior parte de um dia sem irritação, medo ou ansiedade, principalmente quando você começa um novo negócio. Eu quero ser sempre produtivo, saudável e feliz, mas reconheço que muitas vezes 80% dos meus pensamentos são negativos, inúteis. Resolvi então listar nove (na versão deste colunista mais um foi acrescentado) filtros que podemos usar para evitar pensamentos negativos. Aí vão eles:

1. Pensamentos pessimistas: julgar-se de maneira implacável é um deles, ou assumir que não somos bons em alguma coisa que nem tentamos. Julgar os outros de maneira implacável também é um equívoco e, na maioria das vezes, este é um julgamento não baseado na realidade, mas sim no meu desejo de ser o melhor. É sem dúvida um pensamento inútil.

2. Vícios: eles começam quando eu acordo, bem cedo. Quem me irritou tanto ontem? Será que estou bem quando me olho no espelho? Quando olho a foto de Larry Page numa revista, me sinto ridículo. Nenhum desses pensamentos me coloca mais próximo da felicidade ou do sucesso. Quem sabe pensar em comer um waffle no almoço ou fazer mais sexo pode ser melhor?

3. Perfeccionismo e vergonha: eu quero fazer mais dinheiro, eu quero que meus filhos me amem, eu quero uma mansão, eu quero ser famoso. Eu quero, eu quero, eu quero. Passamos a vida pensando em objetivos. E, se não os alcançamos, o que somos? O perfeccionismo é uma muleta, útil para explicar o fracasso, ou é isso ou nada. Se não alcançamos o destino imaginado, a vergonha passa a fazer parte da vida. Porque, quando eu tinha 10 milhões de dólares, eu queria 100. E com os 100, ainda me achava imperfeito, desamado, bom, mas não o suficiente, e, claro, continuava a ter ao meu lado, ou dentro de mim, vergonha e sensação de inutilidade em tudo que fazia.

Pensamentos perfeccionistas não são apenas inúteis, são destrutivos.

4. Ciúmes: são destrutivos e inúteis. Por que fulano vendeu sua empresa por 80 milhões e eu ainda trabalho como escravo para um escroque idiota e já estou chegando aos 30 anos? Este é um pensamento que o puxa para baixo, fazendo com que você viva menos do que pode. Quando você achar que só tem aspectos positivos e puros, pare e pense: e se não for assim, quem exatamente é você no fundo de sua alma e desejos? E se você não for exatamente quem pensa que é, quando tem o outro como referência? Ciúmes em geral lhe roubam criatividade, sinceridade,inovação e invenção.

5. Dores: qualquer lembrança histórica pode ser histérica. Dores que fazem parte do passado devem lá ficar. Evite sempre pensamentos dolorosos. Não somos santos e não viveremos nunca em dores e santidade.

6. Medo: tudo muda, logo logo eu envelhecerei ou, quem sabe, agora mesmo, vou falhar em algo que estou fazendo . Quem sabe um dia minha mulher Cláudia venha a me odiar (espero que não). É possível que meus filhos me odeiem. Já vi isso acontecer em muitas famílias de muitos modos, e o trabalho e o dinheiro quase sempre estão envolvidos nesses sentimentos. O medo do futuro é tão doloroso quanto as dores do passado. Cada um deles deve ser deixado em seus respectivos spam boxes mentais. Algumas pessoas vivem a vida como se hoje fosse seu último dia. Faça ao contrário, viva cada dia como se fosse o primeiro. Sempre um novo começo, tempo para o novo e para renovação da confiança.

7. Obsessão: possivelmente o maior destruidor de vidas e do tempo. Obsessão por pessoas, temas e adversários. Quando alguém está aborrecido comigo, simplesmente não aceito essa ideia. Tenho de provar que estou certo, que o outro, este sim, está, como sempre, errado. Não posso imaginar como e por que mereço esse tratamento humilhante. Eu estou certo! Não há dúvida!!

8. Tristeza: não quero dizer que tristeza é um sentimento “ruim”. Há muitos motivos na vida para vivermos e vivenciarmos tristezas. Mas certas pessoas se utilizam da tristeza para viver, até que isso se transforma num vício, numa desculpa para serem pessimistas profissionais. A felicidade é um caminho muito amplo e às vezes nos amedronta. A tristeza nos mantém dentro de nossas fronteiras, e essas fronteiras se transformam nas muralhas onde vive e prospera o pessimismo. O pessimismo é uma maneira de dizer a você mesmo: viva com pouco, arrisque pouco, pense pouco, viva pouco.

9. Viver uma vida útil: se você puser em prática o uso desses nove filtros, você usará seu cérebro e seus instintos de maneira a aprimorar os seguintes aspectos:

A) Nossa mente mais rapidamente se acostumará a perceber quando tem pensamentos inúteis.

B) Sua negatividade é uma rocha que às vezes se erode facilmente, às vezes, não.

C) Quando temos mais tempo para pensamentos positivos, aumentamos a produtividade, a simplicidade, a felicidade e a liberdade.

D) Nem todos os pensamentos inúteis são realmente inúteis. Não faça disso um credo ou uma certeza, apenas considere essa hipótese.

10. Finalmente o décimo mandamento, que vem ao mundo pelas mãos de Altucher e do cronista que vos fala: não acredite nunca plenamente e ordenadamente em qualquer ideia, nem mesmo nesta que acaba de lhe custar dez minutos de sua vida. Repense o que dissemos, reelabore e reflita sempre. Se você passar o restante de sua vida pensando apenas em espantar pensamentos inúteis, isso será também um pensamento inútil e poderá se transformar num pânico obsessivo. Viva e deixe viver, e os 500% de produtividade em breve estarão no seu colo, de uma forma ou de outra.

Boas festas e um produtivo e impecável 2012.

domingo, 1 de maio de 2011

Teremos um apagão de empreendedores?

Muito tenho escutado sobre os apagões no Brasil. Pessoalmente percebi o apagão dos empregos na década de 80, o da energia elétrica em 2001 e os problemas da gestão do tráfego aéreo em 2006. Já ouvi falar de outros apagões como o da celulose, da capacidade de processamento de cana oda Defesa Civil em muitos municípios e o da mobilidade na cidade de São Paulo. No entanto o que me realmente me preocupa é o apagão de material humano de qualidade. Estou começando a achar que o nível de gente profissionalmente preparada, ética e empreendedora no Brasil está abaixo da marca. Para nossa sorte, esse problema não é exclusivamente nosso, por outro lado está difícil de ver inovações e ações concretas por parte dos gestores públicos das diferentes esferas.

Para começar me questiono: em um mundo globalizado, é facilmente perceptível que lugares que estão indo bem tendem a ser cosmopolitas, são tolerantes aos "forasteiros", são hospitaleiros e naturalmente se vê gente de tudo quanto é lugar. A vinda dessas por outro lado se dá por vários motivos, em especial, oportunidades e mais oportunidades, um esforço em ampliar as facilidades para explorá-las e um ambiente, que para o bem comum, tende a gerir de forma efetiva riscos de toda natureza, minimizando-os. As pessoas e o capital ficam naquele bat-local por nada mais, nada menos, que um período que valha a pena correr o risco da inércia.

Existe gente que percebendo esses fenômenos tentam "desembrulhá-los" para formatos mais facilmente e universalmente compreensíveis. Como exemplos poderia citar diversos estudos mas um que me chama atenção há alguns anos é o Global Competitiveness Report (GCR). A edição 2010-2011 pode ser consultada aqui.



É importante que não levemos esse tipo de estudo a "ferro-e-fogo"... Os gringos às vezes tem uma visão "de frente para o mar e de costas para o Brasil" própria de quem se limita à Brasília e às grandes capitais (convenhamos que alguns compatriotas compartilham desse tipo de falha..). Mas por outro lado, "a verdade que sai da boca do rabugento não deixa de ser verdade...", daí a necessidade de aproveitar as alfinetadas e fazer uma boa auto-crítica. Recentemente a Fundação Dom Cabral, uma das colaboradoras do estudo, aproveitou e fepublicou um documento contendo uma análise da performance brasileira GCR. Vale destacar que o país perdeu duas posições em relação ao período 2009-2010 (de 56 p/ 58). Respeitando as devidas particularidades quando comparados aos colegas do BRICs ficamos bem atrás da China (27, mas Hong Kong está em 11), Índia (51) África do Sul (54), ficando a frente apenas da Russia (63). Entre os demais países latino-americanos continuamos atrás do Chile (30), Porto Rico (41), Panamá (53) e Costa Rica (56) mas a frente do Uruguai (64), México (66) Colombia (68), Argentina (87), Bolívia (108), Paraguai (120) e Venezuela (122). Entre os países lusófonos ficamos atrás de Portugal (46) mas a frente de Cabo Verde (117), Moçambique (131), Timor Leste (133) e Angola (138).



Levando em conta a existência de diversos "Brasis", me chamou a atenção da matéria das 45 cidades mais inovadoras do Brasil, publicada na semana passada no site da Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Piracicaba e outras cidades paulistas estão lá entre as 45 cidades mais inovadoras identificadas no estudo que o Instituto Inovação fez com base em dados do IBGE, MCT e INPI.






As cidades citadas não me causaram grande surpresa. Em determinados eventos direcionados ao público que lida com empreendedorismo, inovação e propriedade intelectual, sempre encontramos seus embaixadores. Realmente muitos exemplos de boas práticas poderiam (e oportunamente serão) listados em posts futuros. Mas apesar de já ter tido a oportunidade de conhecer muitos exemplos de boas práticas em cidades do interior de São Paulo, cidades como Santa Rita do Sapucaí (37.784 hab) , Itajubá (90.679 hab), Joinville (515.250 hab), Curitiba (1.746.896 hab), Florianópolis (421.203 hab) merecem mais atenção dos gestores paulistas. Estão conseguindo interessantes resultados com poucos recursos. O segredo? Antevisão, gente competente e motivada e sobretudo, planejamento.




Ao voltar a pensar em Brasil e seus apagões sempre tento identificar como outros países estão lidando com os desafios de um mundo que ao globalizar-se, gerou uma série de novos desafios tanto para o cidadão comum como para os gestores do mais alto nível.



Presidente Barack Obama em 31 de janeiro deste ano lançou a iniciativa Startup America. Tradicionalmente tantos e tanto empresários compraram a promessa do sonho americano de que se você tiver uma boa idéia, confirmar que se trata de fato de uma oportunidade e estiver disposto a trabalhar duro, você terá sucesso neste país". Os EUA entendem que ao facilitar o cumprimento desta promessa, os empresários também podem contribuir enquanto empreendedores, um papel fundamental na expansão da economia e geração de empregos.

Nesse sentido o Startup América é uma iniciativa da Casa Branca para celebrar, inspirar e acelerar o empreendedorismo em todo o país.


Startups são motores da geração de empregos. Dessa forma a idéia é apoiar os empreendedores de todas as áreas e partes do país. Áreas como energia limpa, medicina, tecnologia da informação e outros domínios inovadores que irão construir as novas indústrias do século 21, e sanar alguns dos mais difíceis desafios globais.



O presidente Obama advertiu a importância de tanto o governo federal quanto o setor privado contribuirem para a prevalência e o sucesso dos empreendedores naquele país.

Primeiro, a administração Obama está lançando um conjunto de iniciativas políticas empreendedor com foco em cinco áreas:
1. Simplificação do acesso ao capital
2. Mentoring
3. Redução das barreiras regulatórias
4. Aceleração da Inovação
5. Desencadeamento de novas oportunidades de Mercado

Nesse esforço líderes do setor privado lançaram o Startup America Partnership, uma aliança independente dos empresários, empresas, universidades, fundações e outros líderes, cujo propósito é adicionar "combustível" às startups inovadoras, de áreas de elevado crescimento dos EUA.

Várias ações estão articuladas. Desde facilitar a obtenção de vistos, como o já comentado Startup Visa Act de 2011. O Start Up Visa foi inspirado em propostas semelhantes que surgiram no Reino Unido e Chile. O Canadá está trabalhando em proposta semelhante.




Nesse sentido ficam algumas reflexões:




  1. E o Brasil?



  2. Será que nosso estoque de empreendedores e profissionais qualificados está ajustado às proclamadas demandas que são anunciadas para os próximos anos?



  3. O quanto que instituições de pesquisas brasileiras foram beneficiadas por receberem pesquisadores estrangeiros nas décadas de 30-50?



  4. Quantas etapas de projetos de C&T&I foram abreviadas pela experiência de profissionais estrangeiros?



  5. O ritmo do processo de internacionalização do ensino e pesquisa das universidades brasileiras está compatível com as suas primas de chinesas e indianas?



  6. Em que medida a qualidade do ensino fundamental e médio públicos comprometerá o mar de oportunidades que temos pela frente?



  7. Quais cidades brasileiras estão se preparando para apresentar resultados menos vexatórios em testes como o PISA?



  8. Será que dá para conciliar melhoria no ensino público (ou seja, o seu vizinho terá uma oportunidade tão boa quanto o seu filho) e atração/retenção de talentos (mesmo que isso signifique ser empregado de um "forasteiro" sem se sentir constrangido social/politicamente?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O que não fazer em 2011

"Não me diga que você está fazendo, amigo. Diga o que você deixou de fazer." Peter Drucker

É bem provável que como a maioria das pessoas das pessoas que celebram a passagem de ano, você esteja fazendo (ou até já concluido)uma lista de resoluções para 2011. Essas são as suas prioridades. Itens como se alimentar de forma mais saudável, praticar atividades físicas com mais regularidade, se dedicar a estudar com afinco algo específico, ou até ler/ouvir os clássicos. Recentemente li uma reflexão sobre um tipo inusitado de lista: As coisas que você deixaria de fazer.

Refletindo sobre as empresas, Peter Drucker acreditava que "abandono planejado" é uma das tarefas mais importantes para qualquer empresa que deseja se manter no mercado uma vez que os clientes exigem cada vez mais das empresas produtos com melhor qualidade, menor preço, menor pegada ecológica, rapidez na manutenção e/ou substituição, etc. Dessa forma praticar o "abandono planejado" é descartar programas que já não estão dando muito certo hoje. É uma das maneiras de abrir espaço para as inovações de amanhã.

Com o tempo, Drucker também se convenceu de que esta mesma prática deveria se estender para o indivíduo. Essa é a única maneira de podermos garantir que ele mantém o foco correto e protege o que para muitos de nós é o recurso mais precioso de todos: o nosso tempo.

"O trabalho é. . . não estabelecer prioridades", Drucker escreveu em "O executivo eficaz", seu clássico de 1967. "Isso é fácil. Todos podem fazê-lo. A razão por que tão poucos executivos serem concentrados é a dificuldade de definir as "posterioridades", isto é, decidir quais tarefas não serão resolvidas, assumir o risco e respeitar a decisão. "

Em 2004 uma entrevista com a Forbes, Drucker afirma que os líderes, em particular, têm de fazer a configuração de "posterioridades" uma prioridade. "As armadilhas mais perigosas para um líder são os quase-sucessos que todo mundo diz que faltou muito pouco e se você apenas dar outro impulso mais forte, supera-se o obstáculo. Na opinião de Drucker o que acaba acontecendo é que "Tenta-se uma vez, tenta-se duas vezes, tenta-se uma terceira vez... Mas, então, depois de muita energia e esforços, observa-se que tal tarefa será muito difícil de fazer...".

Como sobre você? O que você promete deixar de fazer em 2011?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ken Robinson: Mudando os paradigmas da Educação

Professor: A pessoa que professa ser um especialista em alguma arte ou ciência.
Fonte
Educador: O termo educação em si tem como origem duas palavras latinas - educare e educere -, a primeira se aplica mais ao sentido de conduzir o indivíduo de um ponto onde ele se encontra para outro que ele (ou se deseja que) ele aspire alcançar. Educere, por sua vez, se refere a promover o surgimento de dentro para fora das potencialidades que o individuo possui, é o deixar e promover o desenvolvimento ou o "crescer" (GRINSPUN)

Mais uma vez Sir Ken Robinson faz lúcidos e oportunos comentários sobre a necessidade de mudança urgente em um problema comum a maioria das nações insdustrializadas, em desenvolvimento cujas economias dependem mais da inovação. O problema comum é um modelo de educação inerte, falido e comprometedor do futuro e prosperidade dessas nações. Uma lição e um alerta para professores dos diferentes níveis que não atingem os pré-requisitos para serem considerados educadores.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Microempresas oferecem mais vagas e chances de crescer na carreira

Por Carolina Dall'Olio, do Jornal da Tarde

SÃO PAULO - Trabalhar em uma pequena empresa requer do profissional um perfil específico. "Quem gosta de processos muito bem definidos e tem como motivação os salários mais altos e pacotes de benefícios dificilmente vai se adaptar", avisa Álvaro Armont, professor de empreendedorismo do Insper.

Mas isso não significa que os micros e pequenos negócios os salários sejam necessariamente baixo e os processos, desorganizados. "A diferença é que esses não são os pontos fortes das empresas desse porte. Na verdade, as principais vantanges que ela oferecem aos funcionários são a possbilidade de participar mais ativamente das propostas, das decisões e, efetivamente, dos resultados."

Para quem está começando a carreira, os negócios de pequeno porte podem funcionar como uma grande escola. "Ao contrário das grandes, as pequenas empresas não são dividas em tantos departamentos. Todo mundo tem contato com todas as etapas da produção e os funcionários conseguem ter uma visão mais ampla do negócio", afirma a consultora de Carreira Adriana Gomes.

Já para os profissionais mais experientes, as pequenas empresas podem ser uma chance de mostrar todo o potencial. "Esses profissionais podem levar consigo sua rede de contatos e terão mais espaço para fazer valer sua experiência", analisa Fernando Montero, diretor da consultoria Human Brasil. "Por não terem tantos colegas compartilhando função semelhante, poderão dar mais visibilidades ao seu trabalho.

domingo, 13 de junho de 2010

Um presente para os recém-formados.

Tradução do texto A Gift for Grads: Start-Ups de Thomas L. Friedman por Fernanda Grabauska.


Se você tem um filho ou uma filha que se forma na universidade este ano (nos EUA), você provavelmente me entenderá. Quando encontrar os formandos, é melhor não perguntar:– Ei, o que você vai fazer no próximo ano?Muitos não têm resposta. Não conseguem achar empregos relacionados a suas áreas de atuação. O tema da formatura deste ano é o seguinte: “Não pergunte. Não posso responder”.
Devemos algo melhor para nossos jovens – e a solução não é tão complicada, embora seja incrível o quão pouco é discutida em Washington. Precisamos de três coisas: novas empresas, novas empresas e mais novas empresas.
Bons empregos – em grande quantidade – não vêm do governo. Vêm de pessoas que assumem riscos ao iniciar um negócio – empreendimentos que tornam as vidas das pessoas mais saudáveis, mais produtivas, mais confortáveis ou mais divertidas, com serviços e produtos que possam ser vendidos ao redor do mundo. Não se ser a favor de empregos e contra os negócios.
Infelizmente, as relações atuais entre o governo Obama e as empresas estão tensas. Não estou falando de Wall Street, que merece os açoites de Obama. Mas de pessoas que produzem e vendem coisas. Estou falando de empreendedores e inovadores. Um número surpreendente deles me disse que havia votado em Obama, e agora estão infelizes. Muitas das críticas são injustas. Obama nunca conseguiu o merecido crédito por estabilizar a terrível economia que herdou. E as empresas nunca gostarão de alguém que aumenta o imposto de renda, especialmente para pagar pelo plano de saúde de outras pessoas – mesmo que isso seja o interesse da nação.
Dito isso, acho que parte das reclamações da comunidade empresarial a respeito de Obama tem mérito. Apesar de haver muitas iniciativas de “inovação” em seu governo, não são bem coordenadas nem promovidas por líderes versados. Esse governo está pesadamente preenchido de acadêmicos, advogados e tipos políticos. Não há uma pessoa experiente que já administrou uma grande empresa ou vendeu em escala global um novo produto inovador.E isso explica, parcialmente, por que esse governo tem se interessado em empurrar impostos, gastos sociais e regulações – e não expansão comercial, competitividade e formação de novas companhias. Inovação e competitividade parecem não interessar Obama. Mas essa estratégia poderia ser útil para o seu governo.
O que isso poderia incluir? Perguntei a duas das pessoas mais competentes nesse assunto, Robert Litan, vice-presidente de pesquisa e políticas da Fundação Kauffman, especializada em inovação, e Curtis Carlson, presidente executivo da SRI Internacional, especialista em inovação baseada no Vale do Silício.
Carlson disse que começaria por criar um gabinete para promover inovação e competitividade, para assegurar que os EUA permaneçam como “o novo formador de líderes empresariais no mundo”. A “Secretaria das Novas Companhias” teria entre as atribuições diminuir impostos corporativos em início de negócio, reduzir regulamentos custosos e expandir brechas fiscais para pesquisa e desenvolvimento.
Litan afirmou que grampearia um green card (visto de residência permanente) ao diploma de cada estudante estrangeiro que se formasse em uma universidade americana e pressionaria para um novo visto para empresários (o atual, o EB-5, requer US$ 1 milhão de capital, que poucos empresários estrangeiros têm). Garantiria residência temporária para qualquer estrangeiro que viesse ao país para estabelecer uma companhia e residência permanente se essa empresa gerasse certo nível de novos empregos em tempo integral e lucros. Uma das melhores ações, acrescenta Litan, seria um acordo orçamentário de longo prazo que lidasse com os pagamentos da seguridade social dos baby boomers (nascidos depois da II Guerra Mundial). Provar ao mercado de ações que temos, em termos fiscais, nossa casa em ordem a longo prazo manteria baixos os juros no futuro e, assim, “encorajaria o investimento privado mais do que qualquer corte em impostos”.
Não obstante, eu também cortaria os impostos sobre ganhos de capitais, de 15% para 1%, para qualquer negócio lucrativo. Quero que nossas melhores mentes ganhem muito mais abrindo novas empresas do que indo trabalhar em Wall Street para ganhar muito apostando contra companhias que já existem. Também imporia imposto sobre carbono e o equilibraria com um corte nos tributos em folhas de pagamento e taxas corporativas. Vamos taxar o que não queremos e encorajar o que queremos.
– Por sorte, este é o melhor tempo para inovação – disse Carlson, por três razões:Primeiro, embora a competição seja cada vez mais intensa, nossa economia abre enormes novas oportunidades de mercado. Segundo, a maioria das tecnologias – já que são crescentemente baseadas em ideias e bits e não em átomos e músculos – estão melhorando em percentuais exponenciais. Terceiro, essas duas forças – enormes mercados competitivos e veloz mudança tecnológica – estão abrindo uma ótima oportunidade depois da outra. É um tempo de abundância, não de escassez – assumido que fazemos as coisas certas com uma verdadeira estratégia de crescimento nacional. Se não fizermos a coisa certa, rapidamente se tornará um mundo de escassez.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Empreendedorismo na Harvard Business School

Fonte: Mundo S/A

Processo seletivo que adota a Need-blind admission, pragmatismo na pesquisa, método de ensino por estudo de casos, estudantes brasileiros, aprendizado baseado em problemas, promoção do empreendedorismo e geração de spin-outs. Todos esses temas são cobertos nesse excelente especial do Mundo S/A (Programa do Canal Globo News) que apresenta uma visão geral de umas mais destacadas escolas de negócios do mundo: A Harvard Business School.



sábado, 13 de fevereiro de 2010

Os Dez Mandamentos de Guy Kawasaki

Ano passado postei um vídeo sobre Guy Kawasaki aqui no Blog, abaixo postamos um resumo dos seus “Dez mandamentos” publicado pelo Wharton-Universia

  1. Ofereça sentido, e não dinheiro. “Como capitalistas de risco”, disse Kawasaki, “lidamos com muitas empresas que, via de regra, nos dizem aquilo que acham que gostaríamos de ouvir: como ganhar dinheiro. Pela minha experiência, a maior parte das empresas fundadas sobre o conceito de ganhar dinheiro costuma não dar certo. Elas atraem o tipo errado de sócio e de empregado.” Em vez disso, diz ele, o empreendedor deve se preocupar em fazer com que seu produto ou serviço signifique algo mais do que a soma dos seus componentes — e do dinheiro que poderá vir a ganhar. Kawasaki chamou a atenção para o tênis aeróbico da Nike dirigido ao público feminino, e como foi que a empresa fez dele mais do que apenas “duas peças de algodão, couro e borracha produzidas em condições relativamente suspeitas no Extremo Oriente”. Com uma publicidade inteligente em que mostrava como as mulheres sempre foram julgadas e avaliadas, a Nike “pegou um conjunto de US$ 2,50 de matérias-primas e o transformou em símbolo de eficiência, poder e libertação. A empresa produz sentido por meio de sapatos. Grandes empresas são geradoras de sentido.” Não há dúvida de que a Apple fez isso com o Mac, com o iPhone e outros aparelhos.
  2. Trabalhe com um mantra, e não com uma missão. Declarações insípidas e genéricas sobre a missão da empresa — “oferecer produtos e serviços de qualidade superior para nossos clientes e para a comunidade por meio de liderança inovadora e parcerias” — são boas apenas para o consultor contratado para desenvolvê-las, disse Kawasaki. Em vez disso, prefira a concisão e defina a si mesmo com base naquilo que você quer significar para o cliente. A Nike oferece um “desempenho atlético autêntico”; a FedEx promete “paz de espírito”. Para que todos, dentro e fora da empresa, estejam unidos em torno do mesmo propósito, explique a eles a razão de ser da empresa e de que maneira ela atende às necessidades e aos desejos dos clientes.
  3. Pule as curvas. Inovar é mais difícil do que ficar simplesmente um pouco à frente da concorrência na mesma curva. “Se sua empresa fabrica impressoras de margarida, o próximo passo não é a introdução do tipo Helvética em fonte de tamanho diferente. Seu objetivo deve ser ‘pular’ para a produção de impressoras a laser”, disse Kawasaki. Isso é mais fácil de fazer em algumas empresas do que em outras. O empresário disse que nos tempos anteriores à refrigeração, a indústria do gelo era formada por gente que pegava gelo nas regiões de clima frio usando cavalos, trenós e serras para ‘colher’ o gelo durante os meses de inverno. Em 1900, um total de 4.536 toneladas de gelo foram produzidas desse modo. Depois veio a era do ‘Gelo 2.0’ — surgiram fábricas que produziam gelo em qualquer lugar. O ‘homem do gelo’ entregava o produto em estabelecimentos comerciais e nas casas. Por fim, chegamos à era do ‘Gelo 3.0’: a geladeira caseira. É claro que nenhuma daquelas pessoas que colhia gelo foi para as fábricas que passaram a produzi-lo, assim como nenhuma das fábricas migrou para a indústria de geladeiras. Isto se explica pelo fato de que “a maior parte das empresas se define por aquilo que faz”, disse Kawasaki, “e não pelo ‘benefício que gera para o cliente’. A verdadeira inovação aparece sempre que pulamos as curvas, e não quando nos esforçamos para melhorar 10% ou 15%”.
  4. Trabalhe com designs exclusivos. Introduza características que não fiquem no trivial. Kawasaki citou uma das ideias que considera mais inovadoras: as sandálias Fannin Reef, que trazem um abridor de garrafas incorporado ao desenho da sola. Há designs igualmente inteligentes, como o da lanterna BF-104 da Panasonic, que comporta pilhas de três tamanhos diferentes. Desse modo, as pessoas não terão dificuldade em escolher uma pilha em meio a várias de tamanhos diversos que costumam ter em casa. Há designs que são completos, porque não se esgotam no produto: oferecem também suporte e serviço. Elegância também é fundamental, diz Kawasaki. “Toda empresa deveria ter um CTO — Chief Taste Officer, ou diretor de ‘gosto’”, disse. Também não pode faltar emoção. “Bons produtos produzem emoções fortes: basta lembrar da Harley Davidson, do Macintosh.”
  5. Não se preocupe em produzir um produto perfeito. Isto não significa fazer um produto ruim, e sim que “a inovação poderá conter elementos não muito bons”, disse Kawasaki. Há uma porção de coisas erradas no Twitter, mas ele está mudando o hábito das pessoas. O primeiro Mac tinha muita coisa para ser melhorada, mas ele deixou claro como seria o futuro da computação pessoal, e não precisou esperar muito por isso.
  6. “Cutuque” as pessoas. Sempre que você tenta dar conta de tudo para todo tipo de pessoa acaba resvalando para a mediocridade, disse Kawasaki. O Scion xB da Toyota, com seu estilo “caixotão”, pode parecer feio para algumas pessoas, mas para os fãs é sensacional. O TiVo faz sucesso, apesar de deixar louca de raiva a indústria da publicidade.
  7. Não impeça as flores de brotarem. Parafraseando Mao, Kawasaki disse que não sabemos onde vai surgir uma flor. Devemos simplesmente permitir que ela brote. As inovações poderão atrair clientes inesperados e imprevistos. Foi o que aconteceu ao creme para pele “Skin-so-Soft” da Avon, que acabou fazendo sucesso como repelente de mosquito. A regra número 1, disse Kawasaki, consiste em “conseguir o dinheiro. Regra número 2: descobrir quem está comprando seu produto. Pergunte a essas pessoas por que o estão comprando e dê a elas outras razões para comprá-lo. Isso é muito mais fácil do que perguntar às pessoas por que não estão interessadas e, em seguida, tentar mudar seu modo de pensar”.
  8. Agite, meu amigo, agite sempre. Nunca deixe de melhorar seu produto ou serviço. Ouça as ideias dos consumidores. Não é fácil, diz Kawasaki, porque o inovador ou o empreendedor deve sempre ignorar o conselho dos negativistas e dos simplórios, para quem quase tudo é impossível. Depois de feito, quando o produto chega às mãos do consumidor, é hora de começar a receber o feedback.
  9. Escolha o seu nicho. Encontre seu lugar, insistiu Kawasaki. Em seguida, apresentou um gráfico simples de coordenadas X e Y com os quatro quadrantes costumeiros onde se viam as variáveis “Exclusividade” e “Valor”. Um produto ou serviço não precisa ser exclusivo para gerar valor. Foi assim, disse, que a Dell ganhou participação de mercado vendendo computadores. No quadrante esquerdo inferior do gráfico Kawasaki colocou várias pontocom surgidas em fins dos anos 90 sem nada de especial umas em relação às outras. Eram empresas de baixo valor e sem inspiração. Já no quadrante superior direito estavam os produtos e serviços exclusivos e de alto valor. Ali estavam a empresa online de ingressos de cinema Fandango e a companhia de cartões Clear, que pode agilizar a passagem do usuário pela segurança dos aeroportos. “O canto superior direito é a parte mais cobiçada do mercado”, disse. “Ali há produção de sentido. Também é ali que se ganha dinheiro, que se faz história.”
  10. Siga a regra do 10-20-30 sempre que estiver tentando convencer um capitalista de risco. Em outras palavras, não use mais de 10 slides do PowerPoint, restrinja sua fala a 20 minutos e utilize uma fonte de tamanho 30 na sua apresentação (para mantê-la simples). O objetivo desse tipo de apresentação não é voltar para casa com um cheque na mão, disse, e sim “não ser descartado”.

sábado, 12 de setembro de 2009

Você é emocionalmente inteligente?

Você já parou para pensar se você como empreendedor é emocionalmente inteligente?

Faça esse teste publicado no pequenas empresas grandes negócios.

domingo, 16 de agosto de 2009

Lemonade Stories


Hoje tive a oportunidade de assistir um documentário relativamente recente e que em breve faremos uma sessão para apresentá-lo. Trata-se da produção Lemonade Stories: Inspiring Entrepreneurs and the Mothers Who Made Them (2003).

O documentário tem como produtora Mary Mazzio e traz grandes exemplos de empreendedores, mas em especial, foca em um assunto que já discutimos no Clube: Empreendedores nascem favorecidos por determinadas habilidades ou são o resultado de um ambiente rico em experiências desafiadoras e recompensadoras?

A grande sacada de Lemonade Stories é que, como o próprio título sugere, ele explora a história e a importância que as mães de empreendedores como Richard Branson (Virgin); Russell Simmons (Def Jam); Arthur Blank (Home Depot); Kay Koplovitz (USA Networks) tiveram para apoiar (e em alguns casos despertar) o espírito empreendedor em seus filhos. É mais um filme que evidencia o quanto os pais podem colaborar para a construção do caráter e de um perfil empreendedor em seus filhos.

sábado, 15 de agosto de 2009

Documentário Lemonade

Fonte: http://www.lemonademovie.com/

Quem já ouviu o ditado "Se lhe derem um limão, esprema-o e faça uma limonada"? Existe até um outro “If life deals you lemons, make lemonade; if it deals you tomatoes, make Bloody Marys”.

Mais de 70.000 profissionais de propaganda perderam seus empregos durante a crise. O documentário Lemonade (Produzido por Erik Proulx e dirigido por Mark Colucci) é sobre o que acontece quando pessoas que eram pagas para serem criativas em atividades de propaganda & marketing são forçadas a serem criativas com o destino de suas próprias vidas.


Uma coisa que me chamou atenção no trailer que ninguém aparece reclamando da situação atual que estão vivendo. Vamos aguardar o lançamento.

domingo, 5 de julho de 2009

A história da L'Occitane

Fonte: Mundo S/A

A última edição do Mundo S/A superou minhas expectativas. Além de trazer uma história de empreendedorismo singular a descrição do ciclo de vida desse empreendimento não poderia ter sido mais didática.

A L'Occitane en Provence é uma empresa de cosméticos francesa, criada em 1976 por Olivier Baussan que por sua vez, desejava ciar uma empresa que celebrasse e preservasse as tradições de sua terra natal, Provence. L’Occitane significa “a mulher da Occitania”.

A empresa, em seu processo de desenvolvimento de produtos, não deixou de atentar para novas possibilidades. Um exemplo foi a criação da L'Occitane do Brasil que gerou uma interessante linha de filtros solares 100% naturais e cujas matérias-primas além de brasileiras são oriundas de métodos de produção alternativo: Buriti, Cupuaçu e Castanha do Pará.

Infelizmente o video online desta matéria foi retirado do ar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aproveitamento do Curauá na indústria de auto-peças

Fonte: Época Negócios

O curauá (Ananas erectifolius) é uma bromélia característica da amazônia paraense, em particular da região de Santarém. A fibra extraída de suas folhas é muito resistente, macia, leve e reciclável, permitindo composições para diversos usos na indústria. A matéria da revista Época Negócios mostra como o curauá, tornou-se uma das matérias-primas mais modernas da indústria de auto-peças e gerou emprego e renda no Pará.


terça-feira, 21 de abril de 2009

Chamada do Desafio Sebrae 2009

Foi lançado o Desafio Sebrae 2009. Monte sua equipe de 3 a 5 participantes e se inscreva até o dia 13 de maio. Maiores Informações em www.desafio.sebrae.com.br

segunda-feira, 30 de março de 2009

Vídeo do Guy Kawasaki - legendado

O video abaixo é uma palestra do empreendedor e autor do livro The Art of Start, Guy Kawasaki. Vale a pena assistir esse vídeo que apresenta os 10 conselhos de Guy para os empreendedores.

Os slides podem ser consultados em http://www.guykawasaki.com/files/art/Art.pdf

sábado, 21 de março de 2009

Empreendedorismo Tecnológico - O que é uma incubadora? Para que serve?

Recentemente tive acesso a um artigo muito interessante que foi publicado na revista da ANPROTEC Locus Científico. O título é Um estudo de diferentes modelos de instituições de suporte ao empreendedorismo tecnológico. Encorajo a todos que estejam interessados em saber mais sobre esses habitats de inovação conferirem a publicação. Abaixo alguns dos pontos mais interessantes:


1) O processo de transformar uma idéia em uma empresa com produtos que atendam o mercado é muito complexo e muitos empreendedores não conseguem transformar suas tecnologias em negócios de sucesso.


2) Muitas tecnologias, mesmo as mais promissoras, não se tornam grandes sucessos comerciais. Algumas terminam como artigos acadêmicos, outras são esquecidas, umas usadas para fins diferentes do planejado, enquanto algumas exceções viram até peças de museus [JOLLY, 1997].

Ver em: JOLLY, V. K. Commercializing New Technologies – Getting From Mind To Market. Boston, Massachusetts: Harvard Business School Press, 1997.


3) Mesmo depois de ser criada e estabelecida, a Empresa de Base Tecnológica (EBT) ainda precisa de um desenvolvimento adicional de duas dimensões, (i) tecnologia e (ii) mercado [SHANE, 2004]. Isso porque, geralmente, nos estágios iniciais a tecnologia não se encontra em uma forma comercializável e o seu mercado foco ainda está sujeito a muita incerteza.

Ver em: SHANE, S. A. Academic Entrepreneurship: University Spin-offs and Wealth Creation. Aldershot: Edward Elgar, 2004.


4) Para apoiar esses empreendimentos, foram criadas as incubadoras e aceleradoras de negócios. Esses mecanismos se propõem a auxiliar EBT(s) no seu processo de consolidação como empresas estabelecidas no mercado.


5) A primeira incubadora de empresas nasceu na década de 70 nos Estados Unidos, com o objetivo de fornecer espaço para empresas se instalarem e se desenvolverem em uma região
[SHERMAN, 1999; BARROW, 2001].

Ver em: SHERMAN, H. D. Assessing the intervention effectiveness of Business Incubation Programs on Business Start-ups. Journal of Developmental Entrepreneurship, v. 4, n. 2, Outono/Inverno, 1999 e BARROW, C. Incubators: A Realist’s Guide to the World’s New Business Accelerators. Chichester, England: John Wiley, 2001.


6) Em outras palavras a incubadora é uma empresa que auxilia empresas iniciantes a se consolidarem no mercado, oferecendo suporte para transformar uma idéia/tecnologia em um negócio/produto de sucesso.


7) Muitos pesquisadores dividem as incubadoras em vários tipos distintos, pois existem empresas com objetivos e missões completamente opostos apesar de serem todas elas incubadoras.


8) Sherman [1999] divide as incubadoras em três categorias gerais: (i) empowerment, (ii) technology e (iii) mixed-use.
  • A primeira engloba as incubadoras de regiões onde existe alto índice de desemprego e falta de trabalhadores qualificados.

  • A segunda é composta por incubadoras de empresas criadas a partir do desenvolvimento de uma tecnologia e geralmente ocorre dentro de universidades.

  • A terceira envolve muitos tipos de empresas, produção leve e pesada, construção,
    vendas, serviços e outros.

9) Grimaldi e Grandi [2005] apresentam dois conceitos:

  • os Centros de Inovação em Negócios (BIC – Business Innovation Centres), cuja atividade de incubação consiste em oferecer um conjunto de serviços básicos às empresas incubadas, incluindo espaço, infra-estrutura, canais de comunicação, informação sobre oportunidades externas de financiamento, etc.

  • as Incubadoras de Empresas de Universidades (UBI – University Business Incubators). Essas são similares às BIC(s), mas dão mais ênfase na transferência de conhecimento
    científico e tecnológico das universidades para empresas.

Ver em: GRIMALDI, R.; GRANDI, A. Business incubators and new venture creation: an assessment of incubating models. Technovation, v. 25, n. 2, p. 111-121, 2005.

10) As BIC(s) caracterizam-se pela capacidade de redução de custos de iniciação para iniciativas empreendedoras, com alvo em mercados locais, procurando visibilidade e contatos regionais, requerendo pequena quantidade de capital para começar e valorizando a provisão de ativos logísticos.

11) As UBI(s). caracterizam-se pela capacidade de reduzir os custos de iniciação para iniciativas empreendedoras baseadas no conhecimento, geralmente pequenas iniciativas com alvo em nichos de mercado nacionais ou locais.

12) Para Barrow [2001] a missão da maioria das incubadoras públicas, incluindo as de universidades, é a criação e a sobrevivência de empresas, e que os negócios fiquem
e cresçam perto de onde foram criados. Assim, mais empregos podem ser gerados a partir da incubação.

13) Mian [1996] divide os serviços prestados pelas incubadoras em três categorias:

  1. Serviços administrativos (e.g. foto copiadora, telefone, fax, internet, sala de conferência, computadores, recepcionista, sala de lanche ou cafeteira, etc).

  2. Serviços gerenciais e rede de contatos (e.g. financiamento público, plano de negócio, regulamentação empresarial, obtenção de capital, marketing, contabilidade, contratação de pessoal, contato com fornecedores, etc).

  3. Serviços universitários (e.g. imagem da universidade, laboratórios, estudantes, funcionários, consultoria de professores, biblioteca, contato com programas de
    P&D, programas de transferência tecnológica).

Ver em: MIAN, S. A. Assessing value-added contributions of university technology business incubators to tenant firms. Research Policy, v. 25, p. 325-335, 1996.

14) As formas de retribuições/contrapartidas que as pequenas empresas iniciantes têm para oferecer às incubadoras são:

  • Aluguel pago pelo espaço utilizado;

  • Participação acionária;

  • Doações, depois que as empresas atingem estabilidade [CASTELLS e HALL 1994].

15) Apesar da evidente evolução dos programas de incubação das empresas, ainda é necessário questionar a real eficiência dos mesmos por meio de parâmetros para avaliação do sucesso dessas instituições. Até o momento não se sabe ao certo se a eficiência de uma incubadora deve ser avaliada quanto a:

  • Geração de novos empregos;

  • Taxa de sobrevivência de empresas iniciantes;

  • Lucro [ver, por exemplo, SHERMAN, 1999 e MIAN, 1996].

sexta-feira, 20 de março de 2009

Empreendedorismo por oportunidade cresce no Brasil

Fonte: Pequenas Empresas, Grandes Negócios
Em 2008, o número de brasileiros que abriram um negócio por oportunidade superou o de pessoas que montaram uma empresa apenas por necessidade. É o que revela a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) divulgada nesta terça-feira (17) pelo Sebrae. O estudo constatou que para cada brasileiro que empreende por necessidade, dois o fazem por oportunidade. Nos Estados Unidos, existem seis empreendedores por oportunidade para cada um por necessidade.

O empreendedorismo por oportunidade é aquele em que o empresário inicia um negócio com o intuito de melhorar sua condição de vida. Ele acredita no sucesso do empreendimento. Já no por necessidade, o empresário vê o negócio apenas como meio de sobrevivência e pode ser algo provisório.

Segundo a GEM, há 14,6 milhões de empreendedores no Brasil. A taxa de empreendedores por oportunidade ficou em 8,03%, o equivalente a 9,78 milhões de pessoas. Já os empreendedores por necessidade obtiveram índice de 3,95%, um total de 4,81 milhões de indivíduos.

Progresso e riqueza? Incentive o empreendedor

De Clemente Nobrega para Época Negócios

  • Como é possível saber se um produto novo, nunca antes imaginado, vai ter um mercado?
  • Como você sabe se alguém vai querer uma geladeira?
  • Um aparelho de ar-condicionado?
  • Um rádio?
  • Uma viagem aérea?
  • Um computador?
  • O que esses produtos ou serviços farão para o público consumidor?
  • Como poderão ser distribuídos?
  • E anunciados?
  • E vendidos?
  • Como se determina seu preço?

A história dos negócios/inovação/marketing é, claro, a história do lançamento de “novos produtos”. As perguntas acima tinham de ser respondidas para atrair um mercado de massas para eles, mas antes que pudessem ser respondidas ,tinham de ser formuladas. Antes que se pudesse formulá-las ,era preciso que houvesse alguém que pensasse de forma diferente...

Esse alguém é uma figura especialíssima no mundo dos negócios. É um indivíduo, uma pessoa.Chamam esse cara (geralmente é homem, mas a mulheres estão ganhando espaço) de EMPREENDEDOR.

É essencial entender a cabeça do empreendedor. Ele está longe de ser um cientista maluco, ou um inventor obcecado por uma idéia, ou um artista simplesmente apaixonado por sua obra. Ele é um cara que aceita correr riscos para produzir algo que “sabe”que o mundo vai querer,mas, para isso,tem de ter a garantia de que vai poder usufruir da recompensa. O empreendedor nunca, jamais, deixa de ter em mente a pergunta: “como vou comercializar esse produto? “.Olha, ele tem que GOSTAR DE VENDER, tem que ter “sangue na boca”. O sistema tem que garantir que ele possa vender e ficar com o resultado do seu esforço. Quem gera riqueza em qualquer parte do mundo, em qualquer sociedade, é o empreendedor. Propiciar a emergência do empreendedorismo é , para mim, a mais central prioridade para qualquer sociedade que queira crescer. Educação, estabilidade da moeda, instituições sérias, democracia …tudo isso é condição (é meio) para que o empreendedorismo surja. Pode haver progresso e riqueza sem algumas dessas coisas, mas não pode haver progresso e riqueza sem o empreendedor. A China nâo é democrática e está se desenvolvendo- incentivou explicitamente o empreendedorismo. A antiga União Soviética produziu uma elite educada de engenheiros, matemáticos ,técnicos de alto nível,mas não tinha empreendedores, porque o sistema não permitia. Foi-se. Este é o tema.

Numa população pequena, não é certo que surjam empreendedores. Numa população grande é. Na minha visão, empreendedorismo é uma propriedade estatística das grandes populações. Havendo muita gente,e existindo um mínimo de “condições certas” (garantias que assegurem que o cara vai poder usufruir do que conquistar) - algumas pessoas SEMPRE vão emergir como empreendedoras-(aquelas dispostas a correr riscos maiores)-mas essas são (proporcionalmente) muito poucas. EMPREENDEDORISMO NÃO PODE SER PARA TODO MUNDO-é para os extremos da curva de Gauss. Sociedades empreendedoras, que produzem continuamente riqueza nova, são sociedades onde a experimentação, o erro e o fracasso são desproporcionalmente maiores que em outros lugares. A maioria dos empreendedores não ganha mais do que sua contrapartida que está empregada em grandes empresas, em trabalhos seguros. Só quando acerta, ele arrasa a banca.Vocês acham razoável querer que todo mundo corra riscos assim?Eu não acho. Acho razoável encorajar o maior número possível de pessoas a agir com mentalidade empreendedora, e deixar que a estatística dos grandes números produza os vencedores (sabendo de antemão que serão poucos). Devemos é aumentar o tamanho da amostra dos que tentam. Para isso,o papel do estado e das instituições é central. São essas entidades que tem de criar as condições para que, cada vez mais,mais gente se sinta encorajada a empreender.